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Colmeia Viva®- MAP divulga resultado de 3 anos de pesquisa

Os resultados de três anos do Colmeia Viva® MAP (Mapeamento de Abelhas Participativo), iniciativa de pesquisa com a participação da Unesp e UFScar para o levantamento de dados sobre a mortalidade de abelhas com um mapeamento inédito dos fatores que contribuem para a perda de colmeias e abelhas no Estado de São Paulo, permitem conclusões para um plano de ação nacional voltado às boas práticas de aplicação de defensivos agrícolas para uma relação mais produtiva entre agricultura e apicultura.

Com foco nas abelhas da espécie Apis mellifera, a iniciativa de pesquisa contou com 222 atendimentos voltados aos agricultores e criadores de abelhas, que originaram 107 visitas ao campo, onde foram analisadas as práticas agrícolas (cultivos do entorno, taxa de dependência de polinização, estágio da cultura, histórico e modalidade da aplicação de defensivos agrícolas, autorização e condições de uso para defensivos agrícolas) e práticas apícolas (alimentação suplementar, troca anual de rainha, quantidade de caixas por apiário, frequência de visitação, localização do apiário e pasto apícola).

Das 107 visitas realizadas, 88 possibilitaram coleta de abelha com uma análise mais focada na relação da agricultura e apicultura e a aplicação de defensivos agrícolas. Deste total de coleta, 29 casos resultaram negativo para resíduos de produtos químicos e 59 casos positivo para resíduos de produtos químicos, sendo 27 casos com suspeita de uso fora da lavoura e 21 casos de uso incorreto na lavoura.

Foram atendimentos de mortalidade de abelhas. Não foram observados sinais da Síndrome do Desaparecimento das Abelhas (CCD) como os sintomas característicos de colmeia desorganizada, com sujeira e completamente abandonada ou declínio da população de abelhas com desaparecimento repentino das operárias e enfraquecimento das colônias sem a presença de abelhas mortas. Fenômeno registrado principalmente no hemisfério norte, somente com abelhas Apis mellifera.

Dos 59 casos positivos para resíduos químicos, 27 atendimentos dos registros de mortalidade de abelhas indicaram uso dos produtos sem relação direta com o controle de pragas indicado para as lavouras, com suspeita de uso fora da lavoura, como por exemplo: criação de gado, abelhas visitando a área de alimentação de bovinos (em busca de água ou alimento), controle de carrapatos em região de criação de cavalos ou mesmo controle de formigas e cupins pelo apicultor, através da aplicação de produtos químicos – tanto nas caixas como no entorno do apiário.

Já em 21 atendimentos, houve uma relação direta de aplicação incorreta de defensivos agrícolas nas lavouras. Entre as práticas de uso incorreto de defensivos agrícolas que estão entre as causas que podem provocar a perda de abelhas destacam-se: dosagens acima das recomendações indicadas em rótulo e bula; falta do cumprimento das exigências legais para a aplicação de defensivos agrícolas com vistas à proteção ao cultivo nas modalidades aprovadas (aérea ou terrestre); falta de formalização do pasto apícola; emprego incorreto da modalidade de aplicação sem a autorização ou registro de produtos para cultura agrícola.

A metade dos casos com resíduos químicos associados ao uso incorreto na lavoura tem a presença de inseticidas do grupo químico dos neonicotinoides (11 casos) com foco na cultura de cana-de-açúcar. Vale ressaltar também que são estes casos em que há relação com pulverização aérea: uma prática autorizada para este cultivo de acordo com as orientações de cada produto em suas bulas. Já 10 casos de uso incorreto na lavoura estão associados ao inseticida do grupo químico pirazol, sem relação com pulverização aérea, tratando-se de casos em cana, laranja, café e eucalipto.

Nos casos com suspeita de uso fora da lavoura tem a presença majoritária de inseticida do grupo químico pirazol, dentre eles um caso associado com fungicida do grupo químico triazol e outro com o inseticida do grupo químico organofosforado.

Entre os casos em que os resultados de resíduos foram negativos (29 casos), é possível considerar que algumas práticas apícolas podem estar também relacionadas a questão de enfraquecimento e aumento da suscetibilidade das abelhas, tais como a falta de alimentação suplementar (quase 70% dos casos); a falta de troca anual de rainha, como recomendado (quase 80% dos casos), o limite de caixas por apiário acima de 50 caixas como recomendado (quase 45% dos casos); a baixa frequência de visitação aos apiários, cuja recomendação mínima é semanal (quase 25%) e a instalação de apiários próximos a culturas, quando a recomendação é um limite com distância mínima de 50 metros fora das plantações e 20 metros para dentro da mata.

Das informações obtidas no canal 0800 à visita ao campo e análise de laboratório nos casos de coletas de abelhas, a iniciativa de pesquisa contou com várias etapas, que passam pela avaliação da equipe técnica formada tanto por professores da área de toxicologia de abelhas da Unesp e UFSCar quanto por profissionais técnicos das associadas do Sindiveg, signatárias do Colmeia Viva®, especializados em uso correto e seguro dos defensivos agrícolas.

O relatório completo está disponível para leitura aqui.

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